Indústrias vão poder abastecer sua própria frota com custo menor que nos postos de combustível. A novidade vem da autorização da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) para que a Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) possa expandir o mercado de gás natural veicular (GNV) para frotas próprias, caminhões de coleta de lixo, ônibus, micro-ônibus e veículos articulados para o transporte público. A medida vale, ainda, para veículos fora de estrada, como empilhadeiras, tradotas e outros utilizados em operações internas das empresas.

Antes, o segmento de gás natural veicular era restrito ao atendimento de revendedores (postos de combustíveis). Frente à possibilidade de atuar em novos mercados, além do residencial, comercial, cogeração e de energia elétrica, a Gasmig identificou o seu potencial de atendimento para entrar no segmento de frotas e transporte público com o GNV.

De acordo com o superintendente de Política Mineral e Energética da Sede, Guilherme Duarte Faria, "a Gasmig fundamentou seu pleito na justificativa de que a ampliação do segmento de gás natural veicular a estes consumidores traria benefícios econômicos para o Estado", contextualiza.

O coordenador de GNV da gerência de Comercialização do Gás Industrial, Veicular e Cogeração da Gasmig, Welder Souza, afirma que, para buscar a entrada no segmento, a companhia fez um levantamento prévio para o atendimento, inicialmente, de empilhadeiras, dentro da base de clientes já atendida pelos gasodutos da Gasmig.

Como órgão regulador da concessão de distribuição de gás canalizado no estado, a Sede validou a possibilidade e publicou a resolução em 23 de setembro deste ano. "A possibilidade de aquisição de gás natural pelos frotistas se apresenta como vantagem para o setor, que agora pode optar por um combustível que apresenta vantagens econômicas (menor gasto financeiro por quilômetro rodado) e ambientais (menos poluente). Isto se traduzirá em economia para as empresas", aponta o superintendente Guilherme Faria. Além disso, a entrada do serviço em mais este segmento, segundo o superintendente, “vai ampliar o mercado consumidor de gás natural da concessionária, desenvolvendo o setor em Minas Gerais e criando condições para a substituição de combustíveis tradicionais (gasolina e diesel) pelo gás natural”.

Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso, a iniciativa apoiada pela Sede dialoga com os esforços do Governo do Estado em incentivar as indústrias mineiras, oferecendo alternativas viáveis e sustentáveis para o consumo de combustíveis. “Com a expansão do mercado de gás veicular, as empresas serão beneficiadas com a redução do consumo e dos custos com combustíveis”, afirma.


Tarifa diferenciada

A resolução, que trata do estabelecimento de normas para o preço do gás natural para fornecimento pela Gasmig, homologa uma tarifa própria para que a companhia possa fornecer GNV para o segmento de frotas e transporte público. Para o coordenador de GNV, Welder Souza, a tarifa é uma conquista importante, sobretudo para apresentação do case de vendas aos empresários, já que, por se tratar de uma venda direta, não há ICMS para este tipo de consumidor.

“Este mercado é muito interessante e estamos nos preparando para atendê-lo. A tarifa é o primeiro passo para que o empresário se sinta confortável com as simulações. Na parte de frotistas, três cooperativas de táxis e mais duas empresas frotistas serão prospectadas, devido ao seu perfil", observa Souza.

Embora o cenário vá depender de quanto o cliente paga pelos energéticos concorrentes, Souza informa que, na média, a economia para o segmento variará de 10% a 30% para a frota de veículos pesados (caminhões e ônibus), 15% a 35% para empilhadeiras e 55% a 65% para frota de veículos leves (frotistas e cooperativas de transporte e táxis).

"A Gasmig espera entrar neste novo segmento a partir de 2016. A nossa expectativa é a de que o volume de vendas para o segmento veicular cresça cerca de 20% nos próximos quatro anos (somente considerando o atendimento às frotas, veículos fora de estrada, empilhadeiras, transporte público e coleta de lixo)", sinaliza Welder.

Para o analista de Grandes Clientes da Gasmig, Marcus Vinícius Maciel, a nova tarifa pode trazer economia para o cliente, além de possibilitar a otimização do uso da rede de gás existente. “No caso de atendimento a empresas já ligadas, o investimento da companhia será baixo, pois a rede já está construída. Já a possibilidade de aumento de consumo é grande, pois vários de nossos clientes possuem frotas próprias, além de empilhadeiras. Para os clientes, a economia com a nova tarifa pode compensar o investimento na instalação de compressores e de conversão da frota”, afirma.

Atualmente, são 44 os municípios atendidos no traçado da rede, incluindo Belo Horizonte, Governador Valadares, Itabira, Itabirito, Pouso Alegre e Varginha.

Empresas que ainda não têm a ligação e que gostariam de saber como solicitar, entre outras orientações, podem entrar em contato com a Gasmig pela Central de Atendimento ao Usuário de GNV. O telefone é o (31) 3265-1111.


Funcionamento

Para atendimento à frota própria, indústrias que já consomem o gás natural, ou possuem rede de gasoduto próxima podem utilizar dos benefícios econômicos e ambientais do uso do GNV, instalando compressores dentro da própria empresa, para abastecer os veículos e/ou empilhadeiras a um custo menor que nos postos.

No caso do transporte público, o uso de GNV contribui para diminuir a emissão de poluentes dos veículos movidos a diesel e também reflete no ruído oriundo dos motores, reduzindo a poluição sonora, o que, consequentemente, contribui para o bem estar da população.

“Outros estados já tinham uma tarifa apenas para transporte público e as grandes empresas aqui já pediam tarifa diferenciada para o uso de veículos pesados, já que estão cada vez mais adotando a tecnologia do gás natural. Com essa nova classificação do ‘produto GNV’, alinhado a essa tarifa diferenciada, o cliente vai poder abastecer diferentes tipos de veículo na mesma estação interna, sejam eles carros comuns da sua frota ou os veículos fora de estrada, aqueles responsáveis por sua operação, como empilhadeiras, caminhões e tradotas”, diz Welder.

O coordenador lembra, ainda, que a mudança não trará prejuízo aos postos de GNV, pois, nessa venda direta, será proibido o abastecimento de veículos externos. “Vale ressalta que as frotas das empresas convertidas a gás viram potenciais clientes dos postos quando estiverem longe da sua base”, completa.

Em Minas Gerais, são 17 os municípios que reúnem os 73 postos de combustível GNV disponíveis. Belo Horizonte, Juiz de Fora e Contagem são os que têm a maior parte, sendo 32 na capital, 11 na cidade da Zona da Mata e 9 no município da RMBH. Os dados são de relatório da Gasmig fechado em maio de 2015.