Há pouco mais de um ano, o empresário Walyson Francisco de Oliveira, de Perdões, no Território Sul de Minas Gerais, mantinha uma produção caseira de doces típicos da gastronomia mineira, como pé de moleque, doce de leite, entre outras delícias.

Oliveira queria aumentar a produção e expandir as vendas, mas não sabia como começar. Depois de participar do Circuito Mineiro de Compras Sociais (CMCS), o empreendedor investiu R$ 150 mil na abertura de uma fábrica e já colhe os frutos da iniciativa.

“Tripliquei a produção, contratei novos funcionários, ampliei o mix de produtos, fechei negócio com algumas redes de supermercado da região e já estou em contato com outras”, conta.

Criado em 2016, o CMCS é um dos principais programas de incentivo a pequenos negócios do Governo do Estado de Minas Gerais. O projeto é fruto da parceria da Secretaria de Estado Extraordinária de Desenvolvimento Integrado e Fóruns Regionais (Seedif) com a Associação Mineira de Supermercados (Amis).

O CMCS diminui a distância entre empreendedores e redes varejistas, proporcionando, assim, novos negócios que geram mais renda e mais empregos.

“O objetivo é promover o desenvolvimento econômico regional, prestigiando produtos característicos do interior de Minas Gerais, como doces, cafés, cervejas artesanais, queijos, produtos orgânicos, cosméticos, produtos de limpeza, entre outros”, afirma o subsecretário de Desenvolvimento Integrado da Seedif, Pedro Leão.

Desde o início, foram realizadas 11 edições nos Territórios de Desenvolvimento Norte, Sul, Triângulo Norte, Oeste, Leste, Metropolitano e Mata. Neste período, mais de 300 empreendimentos foram atendidos, incluindo 50 cooperativas.

Também foram disponibilizadas 215 vagas para pequenos negócios exporem seus produtos em feiras regionais e nacionais como o Super Encontro Varejista (Sevar) e a SuperMinas.

Só em 2018, mais de 50 empreendimentos foram qualificados em três edições do CMCS. Até o final do ano, serão realizadas outras quatro edições nos seguintes territórios: Triângulo Norte, Norte, Mata e Metropolitano. Com isso, espera-se atingir mais 100 pequenos produtores.

Demanda

De acordo com superintendente da Amis, Antônio Claret Nametala, nos últimos anos houve uma mudança no comportamento do consumidor. “Há uma demanda crescente por produtos de alta qualidade, livre de agrotóxicos, feitos de forma artesanal, que são fabricados por pequenos empreendedores, sobretudo do interior”, diz.

Entretanto, para vender para as grandes redes de supermercados esses pequenos fornecedores precisam atender alguns requisitos básicos, como normas sanitárias e volume de produção. “O CMCS oferece essa qualificação e aproxima micro e pequenas empresas e produtores da agricultura familiar desses compradores”, afirma Nametala.

Acesso

Alguns empreendedores e produtores, entretanto, já possuem produtos que atendem todas as especificações exigidas pelas grandes redes varejistas. Neste caso, muitas vezes o problema reside no desconhecimento do público-alvo e na falta de acesso aos responsáveis pelo setor de compras dos supermercados e outras empresas do varejo.

Estes eram os entraves enfrentados pela cooperativa de produtores do Café Sustentável 5588, de Boa Esperança, também no Sul de Minas. O produto, comercializado nas versões orgânico, gourmet e tradicional já era vendido para países como Austrália, Estados Unidos, Canadá, Chile e Japão. A dificuldade era ingressar no mercado interno.

“Percorri diversas cidades da região para tentar vender nosso produto, mas só recebia não como resposta. Depois de participar do Circuito Mineiro de Compras, em 2017, percebi que, na verdade, não sabíamos qual era nosso público-alvo”, diz a representante de vendas da marca, Karoline Reis Jorge Vilela.

“Hoje, já conseguimos fechar negócio com supermercados de Varginha e Poços de Caldas e estamos em contato com outros possíveis compradores”, salienta Karoline.

Expansão

A Seedif tem se reunido com representantes de outros setores da economia para apresentar o CMCS. O objetivo é replicar o modelo para ingressar em outras redes de varejo.

“A primeira reunião foi com a Frente da Moda Mineira, que demonstrou muito interesse em implantar o projeto”, ressalta Fernando Passalio, secretário-geral do Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Fopemimpe), instância da Seedif responsável pela construção de políticas públicas voltadas para o fortalecimento dos pequenos negócios no estado.

De acordo com Passalio, setores como o automotivo e o da construção civil também têm perfil para adotar o modelo do circuito. “Já iniciamos as conversas e devemos ter novidades nos próximos meses”, ressalta.