Neste Dia Mundial do Café (14/4), o empreendedor mineiro tem muitas marcas a comemorar. Além do estado seguir como maior produtor e exportador nacional, os grãos produzidos aqui têm ganhado cada vez mais valorização no mercado. Isso porque o Governo de Minas vem incentivando a competitividade do setor por meio de investimentos em inovação e de linhas de crédito vantajosas.
Uma dessas iniciativas é o Compete Minas, coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), que destina recursos públicos para projetos de inovação tecnológica nos setores produtivos mineiros. Desde a primeira rodada do programa, em 2022, já foram investidos mais de R$ 4,9 milhões somente em pesquisas relacionadas ao café.
“Em Minas, o café não somente faz parte da economia, da cultura e do dia a dia, mas também está cercado pela inovação. Nos últimos anos, toda a cadeia produtiva do café foi beneficiada com projetos de ciência, tecnologia e inovação”, afirma o subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Sede-MG, Lucas Mendes.
Além disso, nos últimos cinco anos, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) liberou mais de R$ 1,6 bilhão em financiamentos somente por meio da linha Funcafé, exclusiva para produtores de café.
“Os cafeicultores mineiros são referência em produção e, cada vez mais, têm adotado técnicas sustentáveis de produção que elevam o padrão de qualidade dos grãos. O BDMG tem um longo histórico com quem produz café e queremos ampliar esses financiamentos cada vez mais”, afirma o presidente do Banco, Gabriel Viégas Neto.
Inovação a serviço da tradição mineira
Em 2025, foram colhidas 25,7 milhões de sacas de café. Para este ano a expectativa é que sejam colhidas 32,4 milhões de sacas, um aumento de 25,9% em relação ao ano anterior. Portanto, aumentar a eficiência, inovar em produtos e diversificar a atuação é fundamental para aumentar a competitividade das empresas.
Um exemplo é a empresa V Software, de Varginha, que utiliza inovação e tecnologia para otimizar processos logísticos na exportação de café. Com cerca de R$ 420 mil pelo edital Compete Minas - Tríplice Hélice (Linha I), a empresa do Sul de Minas desenvolve uma solução que auxilia a gestão logística de containers, integrando tecnologias como inteligência artificial (IA) e realidade aumentada (RA).
"Na prática, isso significa um fluxo logístico mais confiável, rápido e seguro. Esses pontos são essenciais para um produto de alto valor agregado como o café, que depende de qualidade, prazo e conformidade para competir no mercado internacional", destaca o sócio-diretor da V Software e coordenador do projeto, Rafael Rodrigues.
Crédito impulsiona cafeicultores
Além do Funcafé, o BDMG também financia produtores do grão , especialmente, com foco na agricultura regenerativa, por meio de parceria com cooperativas de crédito no programa BDMG LabAgrominas. A transição para práticas mais sustentáveis contribui para que o agro mineiro alcance novos mercados, como no caso da Fazenda Congonhas Estate Coffee, em Patrocínio, no Alto Paranaíba.
Nos últimos cinco anos, o produtor Lázaro Ribeiro de Oliveira passou a adotar práticas regenerativas, como a cobertura do solo, uso intensivo de matéria orgânica e aplicações de produtos biológicos. Com o novo modelo de produção, conquistou certificações e agregou valor ao seu produto, que conquistou os mercados europeu e norte americano.
“O café ganha em qualidade e é mais bem visto no mercado. Trabalhamos com variedades de arábica que traduzem diversas notas sensoriais. A mais procurada é o bourbon amarelo”, afirma o proprietário da Fazenda Congonhas Estate Coffee.